quinta-feira, 15 de março de 2012

História Antiga - A Civilização Romana (9)

A Era Republicana (8)

Do Latium Vetus às guerras samníticas (386-290 a.C.).
1ª parte

Após superar o perigo representado pela presença das populações gaulesas ao Norte, temporariamente expulsas graças à batalha de Aniene, as vitórias sobre Volscos e Équos e os acordos estipulados com Etruscos e Latinos, Roma pôde dar início, na segunda metade do século IV a.C., a um intenso processo de expansão em direção ao sul da Península Itálica.
File:Samnite soldiers from a tomb frieze in Nola 4th century BCE.jpg
Guerreiros samnitas retornando de uma batalha, friso de uma tumba samnítica em Nola, atualmente no Museo Archeologico Nazionale de Nápoles, séc. IV a.C.
Em 358 a.C., renovou o tratado com Latinos e Érnicos, para enfrentar os Celtas, e dez anos mais tarde, assina um tratado com Cartago, já estipulado na época da passagem da Monarquia à República, por volta de 509 a.C.
Entre 340 e 338 a.C., Roma enfrentou uma nova e sangrenta guerra latina, que venceu graças a imensos esforços. Em 327 a.C. reinicia o conflito com os Samnitas: os Romanos, embora derrotados nas batalhas das Forcas Caudinas e Lautulae, conseguiram uma total vitória em 304 a.C. Houve, enfim, uma terceira guerra entre Roma e os Samnitas entre 298 e 290 a.C., após a qual aniquilou qualquer resistência de seus adversários. 
File:Battle of the Caudine Forks.jpg
Cena com a vitória samnita contra os romanos na Batalha das Forcas Caudinas. Afresco de uma tumba lucana no Museo Archeologico Nazionale de Paestum, Salerno, ca. 320 a.C.

Os Samnitas foram obrigados a abandonar seus projetos de expansão territorial e fornecer contingentes de tropas auxiliares às legiões romanas. Ao liquidar seus últimos adversários na região (lutas com os Gauleses Senones entre 285 e 282 a.C.), Roma assegurou para si o domínio da Itália Central.
Os Samnitas foram obrigados a abandonar seus projetos de expansão territorial e fornecer contingentes de tropas auxiliares às legiões romanas. Ao liquidar seus últimos adversários na região (lutas com os Gauleses Senones entre 285 e 282 a.C.), Roma assegurou para si o domínio da Itália Central.
File:Regina Viarum.jpg
Via Ápia, a Regina viarum (rainha de todas as estradas), VII milha a partir de Roma, colunas do resto de um templo dedicado a Hércules ou a Silvano.
A vitória romana nas três Guerras Samníticas (343-341; 326-304; 298-290 a.C.) assegurou, portanto, a Roma o controle de boa parte da Itália centro-meridional. As estratégias políticas e militares implementadas por Roma, como a fundação de colônias de direito latino (status civil intermediário entre a total cidadania romana e a condição de não-cidadão ou peregrino); a instalação de colônias romanas e a construção da via Ápia (estrada romana que ligava Roma a Brindisi, na Apúlia, o porto mais importante para a Grécia e o Oriente na antiga Roma); tudo testemunha a potência do impulso expansionista em direção ao Sul.
File:Colonie greche d'italia e sicilia.jpg
Colônias gregas da Magna Grécia (Itália e Sicília), mapa anônimo do século XIX. Fonte: Wikimedia Commons.
O interesse pelo domínio territorial não era, de fato, uma simples prerrogativa de algumas famílias aristocráticas, entre as quais a gens Claudia (importante família romana, de origem sabina segundo as fontes latinas, mas segundo recentes descobertas arqueológicas, na verdade de origem etrusca), mas representava os interesses de toda a cena política romana, incluindo todo o Senado e também a plebe. Interesses econômicos e culturais pressionavam para o avanço em direção ao Sul.
File:Hero Temple at Metaponto (Italy).JPG
Templo de Hera em Metaponto (hoje em Matera, região da Basilicata), Magna Grécia, Itália.
Por sua vez, contribuia para frear este impulso expansionista a presença de uma civilização, da Magna Grécia (área geográfica da península italiana meridional colonizada pelos gregos a partir do século VIII a.C.), cujo alto nível de organização militar, política e cultural, foi capaz de resistir durante muito tempo à expansão romana.

quarta-feira, 14 de março de 2012

História Antiga - A Civilização Romana (8)

A Era Republicana (6)

A invasão Celta (390-386 a.C.).

Sebastiano Ricci, "Camilo resgata Roma de Breno", ca. 1746.
A queda de Veios teve como consequência o reequilíbrio das estruturas políticas das outras capitais etruscas e de suas tensões internas tradicionais: a hostilidade em relação a Veios mal era encoberta pela neutralidade manifestada pelas outras cidades da dodecápolis (conjunto de 12 cidades) que gravitavam em volta do Fanum Voltumnae (santuário da nação etrusca). Em pelo menos um caso, esta hostilidade abertamente desaguou na aliança oferecida a Roma por Caere (Cerveteri). Outro efeito era a crescente conscientização do poderio econômico, político e militar da res publica romana.
Ao mesmo tempo, por volta do final do século V a.C., numerosas populações celtas começaram a migrar da Europa Setentrional (desde o leste do rio Reno e do norte do rio Danúbio) para se instalar nos territórios das atuais França, Espanha e Grã-Bretanha. Acerca de 400 a.C., algumas dessas populações chegaram à Itália Setentrional.
File:Evariste-Vital Luminais - Gaulois en vue de Rome.jpg
Evariste-Vital Luminais (1822-1896), "Gauleses marchando contra Roma", Museu de Belas Artes de Nancy. 
Quem começou a ameaçar o clima de paz e a alarmar Roma foram os Celtas da tribo dos gauleses Senones, que atacaram a cidade etrusca de Clusium (atual Chiusi), não muito distante da esfera de influência romana. Os habitantes de Chiusi, esmagados pela força dos inimigos, superiores em número e ferocidade, pediram auxílio a Roma, que respondeu ao seu apelo. Assim, quase sem querer, os Romanos tornaram-se o principal objetivo deste povo vindo do Norte.
Os Romanos os enfrentaram numa batalha campal junto ao rio Allia, no ano 390 ou 386 a.C. (segundo diferentes fontes). Os gauleses, guiados pelo seu comandante Breno, derrotaram um grupo armado romano de cerca de 15.000 soldados e perseguiram os fugitivos até o interior da própria cidade, que sofreu uma ocupação parcial e um saque humilhante, antes que os ocupantes fossem expulsos, ou segundo algumas fontes, convencidos a deixar Roma em troca do pagamento de um resgate.

terça-feira, 13 de março de 2012

Ciências Sociais - Evolução Humana

Cinco dedos, uma ferramenta unificada
Por NATALIE ANGIER
Leonardo da Vinci, Estudo de mãos, séc. XVI.
Nossos dedos podem parecer tão rápidos e hábeis que você pensaria que eles têm planos e vontades próprias. Mas, como os cientistas que estudam a mão humana comprovaram recentemente, a aparência de independência digital é ilusória.
Não apenas os dedos anular e mínimo são unidos por um tendão comum, como medições de padrões de ativação neuromuscular mostram que todos os dedos, incluindo os que têm maior autonomia estrutural -o polegar e o indicador- estão profundamente atentos a cada flexão e tremor dos dedos vizinhos.
"Mesmo quando você pensa que está movendo apenas um dedo", disse Marc H. Schieber, um professor de neurologia e neurobiologia na Universidade de Rochester em Nova York, "você está controlando toda a mão".
M.C. Escher, Mãos desenhando, 1948. 
Um pianista? "As pessoas tendem a pensar que estão apertando uma tecla de cada vez, por isso precisam movimentar um dedo de cada vez para tocar aquela tecla", disse. "Mas, na realidade, todos os dedos estão em movimento o tempo todo."
Um digitador? Para cada toque na tecla existe um movimento de cada dedo. "Alguns dos movimentos são para pressionar a tecla", disse o doutor Schieber, "outros para levantar os dedos e afastá-los da tecla, outros para mantê-los distantes".
Precisa de prova? Mantenha a palma da sua mão virada para cima, com os dedos afastados e experimente dobrar o dedo mínimo sem dobrar as juntas de qualquer outro dedo. Conseguiu?
Auguste Rodin, "Mãos de um pianista", 1908.
O cérebro também trata as mãos como ferramentas unificadas. Os cientistas demonstraram que nossas mãos começam a assumir a configuração necessária assim que o cérebro inicia uma atividade. Se estamos pegando uma garrafa de água, a mão assume a forma de garra aberta.
Ao pegar uma caneta, o polegar, o indicador e o dedo médio formam uma pinça, enquanto o dedo anular e o mínimo (que seguram objetos maiores) se dobram para não atrapalhar.
O polegar é o que diferencia nossas mãos das de outros primatas. Não por serem opostos, mas sim excepcionalmente longos, fortes e flexíveis.
"Isso nos permite beliscar com força um objeto, em um grau muito maior que o de um chimpanzé", disse Stephen J. Lycett, antropólogo da Universidade de Kent (Inglaterra).
Desenho de leitura da mão por quiromancia.
Um beliscão forte é poderoso e preciso, disse William D. Hopkins, do Centro Nacional de Pesquisa de Primatas Yerkes, em Atlanta (EUA). Segundo ele, os seres humanos são muito melhores em utilizar um martelo para abrir uma noz e, quando a noz está aberta, somos melhores para retirar a poupa beliscando.
"Quando perdemos um polegar, perdemos a metade ou mais da funcionalidade da mão", disse Lynette Jones, especialista em mão no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. É por isso que as pessoas que perdem um polegar muitas vezes optam por ter outro dedo ou um dedão do pé (hálux) transplantado em seu lugar.
Hand and sole lines of chimpanzee and man
Linhas das mãos e dos pés de um chimpanzé (acima) e de uma criança humana (abaixo). Robert M. Yerkes (1912-1913).

O dedo trabalhador paga um preço por sua utilidade. Nos EUA, segundo o doutor Steven J. McCabe, último presidente da Associação Americana de Cirurgia da Mão, quase todo mundo acaba com artrite na base do polegar no fim da meia-idade.
A mão humana é um pegador de ferramentas e um descobridor de fatos, tão cheia de sensores que foi comparada à fóvea da retina, a parte do olho com a maior concentração de receptores de luz. A pele sem pêlos de cada mão contém 17 mil receptores, terminações nervosas especializadas que podem detectar mínimas vibrações, mudanças de pressão, saltos microscópicos, o toque de uma perna de mosquito.
"Se você quiser descobrir texturas, distinguir seda de poliéster, toque com as mãos", disse.
Sequência Fibonacci ilustrada pela natureza; acima, caracol, abaixo, planta.

As mãos também são ricas em ossos: os 27 ossos da mão e do pulso representam a maior concentração de ossos interligados do corpo, disse o doutor McCabe. Além disso, as proporções entre os ossos nos dedos fora o polegar se conformam em muitas pessoas com a sequência de Fibonacci, uma relação numérica vista em outras formas espiraladas da natureza, como as conchas de alguns moluscos, a corola do girassol e o furacão. Se você agitar os dedos em uma cascata, disse o doutor McCabe, "poderá ver a curva espiral em ação".
Sequência Fibonacci representada pela mão humana fechada.
Como e quando ganhamos nossas mãos continua sendo um campo animado de pesquisa e debate. Jonathan Kingdon, da Universidade de Cambridge, afirmou que há cerca de 7 a 9 milhões de anos, muito antes que nos tornássemos bípedes, nossas mãos distinguiam nossos ancestrais dos macacos, permitindo que os pré-hominídeos coletassem frutos com aptidão e perícia.
Em um relatório de 2010 publicado na revista "Evolution", pesquisadores da Universidade de Calgary (Canadá) afirmaram que a bipedestação veio primeiro e que as mudanças no pé e nos artelhos humanos necessárias para sustentar uma posição ereta nos deram nossas proporções características dos dedos.
Impressões de mãos em pintura rupestre, Cueva de las Manos, Patagônia, Argentina, ca. 30.000 a.P. (antes do presente).
Mais recentemente, o doutor Lycett e Alastair Key sugeriram na publicação "The Journal of Archaeological Science" que nossas mãos provavelmente fazem parte de uma curva evolucionária genética-cultural. Por esse argumento, enquanto nossos ancestrais começaram a mexer com as primeiras ferramentas de pedra, os utensílios se tornaram uma força seletiva, favorecendo os indivíduos cujas mãos conseguiam usá-las com maior eficiência.
Nossas mãos continuam evoluindo e têm espaço para melhorar. Se pelo menos conseguíssemos perder a artrite no polegar.

Reproduzido do caderno especial do "The New York Times" publicado na Folha de São Paulo de 12/03/2012

segunda-feira, 12 de março de 2012

História Antiga - A Civilização Romana (7)

A Era Republicana (5)

A conquista de Veios
Reconstituição do Templo de Veios (Portonaccio), 515-490 a.C.

Em 405 a.C. começa a guerra de dez anos contra a poderosa cidade etrusca de Veios, declarada no ano anterior. Por sua vez, Veios (atual Portonaccio) não conseguiu outras cidades etruscas como seus aliados.

O conflito sofreu uma reviravolta quando, em 403 a.C., os romanos começaram a construir fortins para o controle do território de Veios, além de vários maquinários de ataque para iniciar o assédio à cidade. A execução destas obras trouxe a necessidade de manter soldados armados, mesmo durante o outono e o inverno, quando, tradicionalmente, os cidadãos-soldados eram liberados para voltar à cidade para tratar de seus próprios afazeres. Isto foi feito para evitar que o maquinário de guerra fosse destruído pelos inimigos.
military-shield-twoeyes-vatican
Escudo militar etrusco, Museu Etrusco Gregoriano, Museus do Vaticano, Roma.
Apesar da firme oposição dos Tribunos da Plebe, tomou-se a extraordinária decisão de manter o exército mobilizado para assediar Veios até que esta se rendesse. Roma garantiu aos soldados mobilizados o seu soldo, graças a um novo imposto extraordinário.
Por outro lado, Veios conseguiu o apoio dos habitantes da cidade de Capena Veteres (os capenatos), e dos Faliscos (do grego Φαλίσκοι), habitantes da cidade de Falerii, em 402 e em 399 a.C., apoio porém que não conseguiu aliviar a pressão do cerco romano.

Em 396 a.C., porém, os Capenatos e os Faliscos surpreenderam os romanos numa emboscada, matando vários soldados e também Cneo Genúcio Augurino, um dos seis tribunos consulares eleitos naquele ano; como em outras situações de crise, Roma reagiu nomeando um ditador, Marco Fúrio Camilo.
A fresco painting of the Roman general Furius Camillus by Francesco Salviati in the Sala dell'Udienza, or Audience Hall, of the Palazzo Vecchio
Francesco Salviati, "Triunfo do comandante Camilo sobre Veios em 396 a.C." Sala dell'Udienza, Palazzo Vecchio, Florença, séc. XVI. 

Fúrio Camilo, após derrotar Capenatos e Faliscos, intensificou o cerco a Veios, iniciando a construção de uma galeria subterrânea que chegava até abaixo a fortaleza de Veios. Concluído o trabalho, o ditador atacou fortemente, em vários pontos, as muralhas da cidade, para dissimular a presença de soldados na galeria subterrânea.

"A galeria, naquele momento cheia de tropas escolhidas, de repente despejou sua carga de homens armados no interior do templo de Juno, na cidadela de Veios: parte desses homens atacou pelas costas os inimigos posicionados sobre as muralhas, e parte começou a arrancar das dobradiças as barras que fechavam as portas, outros ainda atearam fogo às casas de cujos telhados os servos e as mulheres atiravam uma saravaida de telhas e de pedras". (Tito Lívio, Ab Urbe Condita, V. 2, 21).
File:Colonne di Veio a palazzo Wedekind.JPG
Colunas de Veios levadas a Roma para o Palácio Wedekind pelo papa Gregório XVI.
Veios foi conquistada, os romanos a saquearam, pilhando um imenso butim. Os romanos, com esta vitória, criaram as bases de sua própria supremacia sobre a outra margem do Tibre, até então controlada por populações etruscas.  Mas foi exatamente a questão da divisão do espólio de guerra, tão imenso como jamais fora visto em Roma, a ser dividido entre soldados, cidadãos, erário público e templos, que levou a posteriores divisões e conflitos no interior da cidade.

Durante a década do assédio, não faltaram em Roma os habituais ataques dos Volscos, que tentavam reconquistar Anxur (hoje Terracina) e dos Equos, porém facilmente rechaçados pelas legiões romanas, muito mais organizadas.
Ruínas (só permaneceu a base) do Templo de Júpiter Anxur, em Terracina, onde vivi (na cidade, não no templo) entre 1998 e 1999. Bons tempos.



sexta-feira, 9 de março de 2012

História Antiga - A Civilização Romana (6)

A Era Republicana (4)

Conflitos com povos vizinhos e tensões internas
Casal sentado lado a lado, afresco da Sala H da Villa de P. Fannius Synistor em Boscoreale, ca. 40–30 a.C.; Período Republicano Tardio, Metropolitan Museum, N. York.
O período entre 470 e 451 a.C. foi caracterizado pelas campanhas contra as populações vizinhas, que periodicamente faziam incursões aos territórios romanos ou de seus aliados, e as crescentes tensões internas, entre Plebe e Senado, que diziam respeito à Lex Terentillia, com a qual os tribunos tentaram limitar os poderes dos cônsules (e, por extensão, o poder dos patrícios), a qual, entretanto, jamais chegou a ser votada.  

Durante estas duas décadas os mais difíceis opositores externos foram os Volscos e os Equos, descritos pelo historiador romano Tito Lívio como mais temíveis  invasores e destruidores do que combatentes, e, por esse motivo, regularmente expulsos e derrotados nas batalhas campais contra os romanos, mesmo quando estes últimos encontravam-se em inferioridade numérica. A cidade de Anzio foi tomada em 469 a.C., e em 462 a.C. os Volscos sofreram grandes perdas  por obra dos romanos.
Transporte de carga de grãos para uma nave, afresco de Isis Geminiana, Óstia, período imperial.

"Pouco faltou para que o nome dos Volscos fosse varrido da face da terra. Em alguns anais encontrei que entre a fuga e a batalha houve 13.470 mortos, que 1.750 prisioneiros foram capturados vivos  e que foram capturadas 27 insígnias. Mesmo que tais cifras tendam de certa forma ao exagero, tratou-se, sem dúvida, de um grande massacre" (Tito Lívio, Ad Urbe Condita, III, 8).
File:Alma Tadema Coriolanus House.png
Alma-Tadema, "Interior da casa de Coriolano", 1907.
Os Sabinos limitaram-se a fazer algumas incursões aos limes romanos, enquanto os Hérnicos já constam como aliados, aos quais Roma presta auxílio quando estes são atacados pelos Équos e Volscos. A cidade de Tusculum se destaca pela sua fidelidade como aliada de Roma, intervindo na reconquista do Capitólio (monte Capitolino), ocupado por Ápio Herdônio.

Ao mesmo tempo, na cidade, as tensões entre Patrícios e Plebeus por causa da controvérsia para a aprovação da Lex Terentilia atingem o auge em 460 a.C., quando os dissidentes internos possibilitam a tomada do Capitólio por Ápio Herdônio e seus seguidores. O Capitólio foi reconquistado com dificuldade pelas tropas consulares de Públio Valério Publicola, morto nos combates para a retomada da colina.

Entre as duas facções cresce a consciência de que o impasse entre as duas ordens (patrícios e plebeus) apresenta um grande perigo para a estabilidade de Roma. É enviada uma comissão a Atenas para transcrever as leis de Sólon, para estudá-las e reformar as instituições romanas, e após muita insistência por parte dos tribunos da plebe, patrícios e plebeus concordam na constituição do primeiro Decenvirato.
Relief depicting boat with helmsman and three rowers, from Isola Sacra Necropolis Ostia, Lazio Region, Italy (1788-15899 / 11056061 © DeAgostini)
Relevo retratando barco com timoneiro e três remadores, das Necrópoles de Isola Sacra, Óstia, Lácio, Itália.  
Entre os episódios lendários destaca-se a primeira ditadura de Cincinato em 456 a.C., que teria derrotado os Équos e voltado às suas terras no campo após apenas 16 dias de ditadura. O decenvirato, instituído como um comitê de sábios para a renovação da República, cumpriu sua tarefa com a criação das Leis das 12 tábuas, mas acabou representando a tentativa de instituir um governo autoritário que excluísse os plebeus de qualquer magistratura ou decisão no governo da cidade. A esta tentativa os plebeus responderam com a ameaça da secessão, e, após vários acontecimentos, obtiveram o restabelecimento de todas as magistraturas ordinárias, além do exílio dos decênviros e da acusação de Ápio Cláudio e Esppúrio Ópio Cornicino, os decênviros mais odiados pela plebe.
File:Cincinato abandona el arado para dictar leyes a Roma, c.1806 de Juan Antonio Ribera.jpg
Juan Antonio Ribera, "Cincinato deixa o arado para ditar leis em Roma", 1806, Museu do Prado, Madri.

Restabelecidas as prerrogativas da plebe e de seus campeões, os tribunos da plebe, a cidade viveu com relativa tranquilidade a dialética entre as duas classes sociais, tanto que a breve tentativa dos tribunos consulares, que ocuparam seus cargos por apenas três meses em 444 a.C. não trouxe graves consequências à estabilidade interna de Roma.

Em 443 a.C. foi instituído o cargo do Censor, responsável pelos recenseamentos, para liberar os cônsules de uma atividade que não conseguiam levar a cabo a não ser ocasionalmente.

O período entre 440 e 406 a.C. internamente foi caracterizado pelas tensões entre plebeus e patrícios, efetivado pela alternância entre cônsules e tribunos consulares na liderança da cidade (embora, de fato, os patrícios sempre fora eleitos às supremas magistraturas), e externamente, pelo aumento da hostilidade contra Roma por parte dos povos vizinhos, que foram respondidas, pela urbe, com a nomeação de um Ditador (foram cinco nesse período), o que simboliza que tais ameaças eram consideradas sérias pelos romanos.
Sarcófago Portonaccio, 180-190 d.C., arte romana.

De qualquer modo, em 420 a.C. os plebeus obtiveram o acesso ao cargo de Questor, embora apenas em 409 a.C. três plebeus tenham sido eleitos a este cargo, até esse momento privilégio dos patrícios.

Ao norte, Roma enfrentou as pressões da cidade etrusca de Veios (atual Portonaccio), derrotada duas vezes, em 437 e 426 a.C., com o acordo de uma trégua de 20 anos. Ao sul, os Volscos continuaram ameaçando Roma, que enviou uma campanha mau-conduzida pelo cônsulo Caio Semprônio Atratino. Roma, porém, acabou demonstrando sua supremacia nas vitórias em Anzio (408 a.C.) e Anxur (atual Terracina, em 406 a.C.). No mesmo ano foi declarada a terceira guerra à cidade etrusca de Veios.  

quarta-feira, 7 de março de 2012

História Antiga - A Civilização Romana (5)

A Era Republicana (3)

Roma e os Latinos (496-494 a.C.)

Roma tinha sido excluída da liga das cidades latinas vizinhas, provavelmente também em virtude da influência da componente etrusca da cidade. A procura de novas terras cultiváveis e de vias de comunicação muito cedo iriam opor a Urbe aos outros centros latinos.

Nicolas-Bernard RAGGI, "Metabus, rei dos Volscos", 1862. O tema é inspirado na "Eneida" de Virgílio (XI, 517-590). Expulso de seu trono por seus súditos revoltados, e após refugiar-se nos bosques mais remotos com sua filha Camila, o rei Métabus prometeu sua filha à deusa Diana. Assim ele aprendeu a caçar animais selvagens e pôde sobreviver com sua filha, que teria se tornado uma exímia caçadora e guerreira.
Um tratado de paz, cuja data é incerta mas anterior a 493 a.C., o Foedus Cassianum, foi estipulado entre Roma e os Latinos e permaneceu em vigor até 338 a.C., quando Roma venceu uma batalha contra os latinos. Com o tratado Roma, mesmo vencedora, reconhecia a autonomia das cidades latinas mas reservava a si mesma o Supremo Comando em caso de guerra. A aliança tinha, assim, um objetivo claramente defensivo, em vista das ameaças de povos como os Equos, os Volscos e os Auruncos.

Sítio arqueológico da colônia latina de Alba Fucens, território dos Equos. Ao fundo o Monte Velino, Massa d'Albe, Abruzzo, Itália
Eventos políticos internos (494-487 a.C.)
Enquanto isso, a cidade tornara-se palco de violentos conflitos entre patrícios e plebeus, provocados pela exigência dos últimos de possuirem representantes nas instituições da cidade. Estas instituições, após a queda da monarquia, passaram a ser uma prerrogativa exclusiva dos patrícios. Os plebeus também exigiam o fim da aplicação do Nexum, (que estabelecia como garantia de um empréstimo que, em caso de não-pagamento, o próprio devedor transformava-se em escravo do seu credor), quando alguém se tornasse devedor por culpa de uma guerra ou evento bélico.
Nessa conjuntura Roma somente conseguiu resistir às ameaças externas a partir do acordo entre a ordem patrícia e a plebéia. O ditador Mário Valério Máximo prometeu as reformas sociais assim que a guerra contra os latinos fosse concluída. Em 494 a.C., com ações militares rápidas e eficazes Roma conseguiu vencer os ataques dos Sabinos, Equos e Volscos.
A Secessão da Plebe,
gravura de B. Barloccini, 1849.
Quando a guerra terminou os patrícios recusaram-se a conceder aos plebeus tudo o que tinha sido prometido, sobretudo por causa da forte oposição à reforma da ala mais extremista dos patrícios, guiada por Cneu ou Caio Márcio, conhecido como Coriolano. Os plebeus, pela primeira vez na história romana, adotaram como forma de luta política a secessio plebis, isto é, abandonaram a cidade, retirando-se para o monte Sacro, fora das muralhas da cidade, recusando-se a responder ao apelo às armas Cônsules.
O tribuno da plebe Caio Graco dirige-se ao Conselho dos Plebeus. (Wikimedia commons).
A primeira secessão ou revolta da plebe foi concluída com a aceitação de algumas de suas exigências, entre as quais a mais importante, sem dúvida, foi a instituição, em 494 a.C., da figura do tribuno da plebe. Por outro lado, a recomposição da fratura entre as duas ordens não resultou no restabelecimento da harmonia interna.

quinta-feira, 1 de março de 2012

História Antiga - A Civilização Romana (4)

A Era Republicana (2)

Os primeiros anos da República (509-496 a.C.)

Os primeiros anos da República foram caracterizados pela necessidade de estabelecer a nova ordem, defendendo-a tanto dos inimigos internos (acusados de querer restaurar o regime monárquico), quanto dos inimigos externos que, contando com a debilidade do novo regime, buscavam recuperar a sua independência do Estado romano.
Templo de Júpiter Ótimo Máximo, ou Júpiter Capitolino, desenho reconstrutivo, J. Carlu, 1924.
Em 507 a.C. o templo de Júpiter Ótimo Máximo, durante séculos símbolos do poderio romano, foi dedicado ao deus por um dos primeiros cônsules republicanos, Marco Horácio Pulvilo, com o intuito de ligar ao novo Estado romano o templo construído pelos últimos três reis de Roma (de origem etrusca).
Retrato masculino, busto, séc. III-II a.C., período republicano.
De todo modo, a defesa da nova ordem republicana foi um movimento histórico que chegou a um ponto de verdadeira psicose coletiva. Por exemplo, Públio Valério (mais tarde chamado Publicola, isto é, amigo do povo) teve que se defender da acusação de querer tornar-se rei, foi obrigado a derrubar a residência que estava construindo na colina Velia e promulgou uma lei que permitia a qualquer cidadão romano de matar quem quer que procurasse tornar-se rei.

Socialmente, havia grandes agitações. À ordem mais tradicional, ligada às famílias patrícias, contrapunha-se o povo romano (ou plebe), num movimento dialético que desencadeou episódios violentos e que emergiria de forma mais clara na década seguinte, com a primeira revolta da plebe de 494 a.C.
Data deste período a introdução na legislação romana da provocatio ad populum, que garantia a qualquer cidadão que tivesse sido condenado por uma magistrado à pena capital, de apelar ao povo, para transformar a pena imposta, e a nomeação de dois questores da parte do povo.
Afresco com mulher sentada tocando cítara, Villa de P. Fanius Sinister, Boscoreale, período Republicano Tardio ou início do Império, ca. 50-40 a.C.
Do ponto de vista militar, após ter garantido sua independência do poderoso vizinho etrusco, Roma precisou restabelecer a própria autoridade ao longo das fronteiras ao Norte, com os Sabinos, que cada vez mais faziam incursões no território romano, e nas fronteiras meridionais, onde a colônia de Pométia foi duramente punida por ter passado para o lado dos Auruncos.
Parece que os romanos sentiam-se cercados, o que se pode deduzir dos triunfos que foram concedidas à vitórias bastante modestas, e também pela instituição da figura do ditador, cargo que foi atribuído pela primeira vez em 501 a.C. a Tito Lárcio, com a previsão de uma futura guerra contra uma liga de cidades latinas.
Cabeça de fauno, detalhe de afresco na sala de recepção da Villa de P. Fanius Sinister, Boscoreale, período Republicano Tardio ou início do Império, ca. 50-40 a.C.

Em tais condições se desenvolveu aquilo que podemos considerar uma primeira forma de "política externa" do estado romano: o divide et impera (divide e conquista), cujo objetivo era dividir os adversários, graças a ações diplomáticas, para depois chegar à batalha campal com um inimigo enfraquecido pela própria consistência numérica.
 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

História Antiga - A Civilização Romana (3)

A Era Republicana (1)

A República romana (Res publica Populi Romani) foi o sistema de governo da cidade de Roma no período entre 509 a.C e 27 a.C., quando a urbe foi governada por uma oligarquia republicana.

A República surgiu a partir de oposições internas que levaram ao fim da supremacia dos elementos etruscos na cidade e, ao mesmo tempo, com a decadência das instituições monárquicas. O fim da República, por outro lado, convencionalmente, coincide, mais ou menos meio milênio depois, com o fim de um longo período de guerras civis, que vai marcar de fato (embora formalmente isto não ocasione uma reforma institucional) o fim da forma de governo republicana, e a ascensão do Principado.

Retrato de um homem em busto, séc. I a.C., era republicana, Metropolitan Museum de N. York. Este busto representa as chamadas 'virtudes republicanas': moralidade tradicional, seriedade, responsabilidade pública e cidadania, coragem e resistência no campo de batalha. O prestígio é visto como resultado de uma longa experiência, da idade e da competição entre iguais dentro do sistema político estabelecido. Tais são os valores expressos em retratos como este, de homens de meia-idade de fisionomia severa e carrancuda, como este busto. 

O período da República foi uma fase longa, complexa e decisiva da história romana: constituiu um período de enormes transformações para Roma, a qual, de pequena cidade-Estado do século VI a.C., torna-se, às vésperas da fundação do IMpério, a capital de um Estado vasto e complexo, formado por uma infinidade de povos e civilizações diferentes, que marcaria de forma decisiva a história do Ocidente e do Mediterrâneo.

Foro romano. Foto de Stevan Kordic

Nesse período enquadram-se a maior parte das grandes conquistas romanas no Mediterrâneo e na Europa, sobretudo entre os séculos III e I a.C. O século I a.C. foi, por sua vez, devastado por conflitos internos devidos às transformações sociais, mas representou também o século de maior florescimento literário e cultural, fruto do encontro com a cultura helenística e referência "clássica" para os séculos seguintes.

Pintura em afresco num cubiculum (quarto) da "Villa" de  P. Fannius Synistor em Boscoreale, ca. 40–30 a.C.; período republicano tardio.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

História Antiga - A Civilização Romana (2)

A Era da Monarquia

Os primeiros Reis de Roma aparecem, sobretudo, como figuras míticas. A cada um destes soberanos foi geralmente atribuida uma contribuição especial ao nascimento e desenvolvimento das instituições romanas e no crescimento sócio-político da urbe.

Ao mesmo tempo, eram fundados os primeiros edifícios de culto e instalavam-se nas colinas periféricas os habitantes das cidades vizinhas que eram, pouco a pouco, conquistadas e destruídas.
Panorama de Roma vista do monte Janículo.
Uma fase importante ocorreu no século VII a.C., na era atribuída ao rei Anco Márcio (o 4º mítico rei de Roma), quando teria sido criada a primeira ponte sobre o rio Tibre, o Sublicio, e com a construção de uma construção na colina do Janículo, a oeste, para a proteção da ponte.
Moeda da era republicana com a efígie do rei Anco Márcio.

No mesmo período, segundo a tradição, o rei teria mandado construir o posto de Óstia na foz do rio, ligando-o a uma estrada que eliminou todos os centros habitados na margem esquerda. A escavação de zona urbana de Decima trouxe evidências para esta tradição, tendo sido notado como o desenvolvimento de sua necrópole tenha sido bruscamente interrompida no final do século VII.
Reconstituição do Templo de Júpiter Ótimo Máximo ou Júpiter Capitolino.
O aproveitamento das possibilidades da posição privilegiada da instalação de Roma e sua urbanização pode explicar a intervenção dos Etruscos, conscientes da posição-chave da cidade. No século VI a.C. os reis de Roma pertenceram a uma dinastia etrusca, que assinalou a definitiva urbanização da cidade.

Cloaca Máxima, esgoto com saída para o rio Tibre.
As muralhas servianas (cujo traçado coincide perfeitamente com a reconstrução da cidade no século IV a.C. cercavam uma superfície de 426 hectares, para uma cidade, dividida em quatro tribos territoriais (Palatina, Colina, Esquilina e Suburbana) que era a maior da península itálica naquele momento.

O período de grande prosperidade para a cidade sob a influência dos últimos três reis é testemunhado pelas primeiras obras públicas importantes: o Templo de Júpiter Ótimo Máximo no Capitólio, ou Júpiter Capitolino - o maior templo etrusco conhecido por nós; o santuário arcaico da área de Santo Homobono, e a construção da Cloaca Máxima, que permitiu a regeneração da área do Fórum Romano e a sua primeira pavimentação, tornando-o o centro político,  religioso e administrativo da cidade.
Modelo em miniatura do Circo Máximo
Um outro canal drenou Vallis Murcia e permitiu, sempre por obra dos reis Tarquínios, a construção do primeiro edifício para espetáculos públicos no Circo Máximo.
Modelo representando a Roma na época dos reis Tarquínios, Museo della Civiltà Roma, Roma-EUR.

A influência etrusca deixou em Roma testemunhos duradouros, tanto nas formas arquitetônicas dos templos como na introdução do culto da Tríade Capitolina (Júpiter, Juno e Minerva) retomada dos deuses etruscos Uni, Menrva e Tinia. Roma jamais perdeu, porém, seu forte elemento étnico e cultural latino, e por isso, no final da idade monárquica, para todos os efeitos, Roma não se trata mais de uma cidade etrusca.
Afresco da Tumba François de Vulci representando a libertação de Macstarna, mais tarde sexto rei de Roma com o nome de Sérvio Túlio, por Célio Vibenna.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

História Antiga - A Civilização Romana (1)

As Origens do nome "Roma" e "Romanos"
A origem do nome da cidade e do povo que a habitava já era incerta mesmo na era arcaica. Entre as inúmeras interpretações, desde a Antiguidade, uma das mais interessantes hipotetiza que o nome ruma seria de origem etrusca, por não ser de origem indo-européia, assim como a língua etrusca, única língua não-indoeuropéia da região. O termo teria sido usado no latim arcaico, e teria dado origem ao topônimo Ruma (mais tarde Roma) e a um prenome, Rume, em latim Romus; o nome de Rômulo, assim, um dos fundadores míticos de Roma, teria sido derivado do nome da cidade Roma, e não o contrário, como defendia uma das hipóteses da origem do nome da cidade berço desta civilização.
A Loba Capitolina, escultura etrusca. Rômulo e Remo foram acrescentados no final do séc. XV d.C., provavelmente por Antonio del Pollaiolo.
De qualquer modo a tradição linguística assinala ao termo ruma, em etrusco e em latim arcaico, o significado de "mama", como é confirmado por Plutarco, o qual, na "Vida de Rômulo, relata que:

"Às margens do rio crescia uma figueira silvestre que os Romanos chamavam ruminalis ou, como pensa a maioria dos estudiosos, do nome de Rômulo, seja pelo fato de os rebanhos costumarem ali se dirigirem para ruminar sob sua sombra ao meio-dia, ou melhor ainda, pelo fato de os meninos terem sido amamentados aí; e os antigos latinos chamavam ruma a mama. Ainda hoje dão o nome de Rumilia a uma deusa invocada durante a amamentação dos bebês". (Plutarco, Vida de Rômulo, 4, 1).
A "figueira ruminal" na parte posterior de um denário de ca. 137 a.C.

Esta interpretação do termo ruma está, pois, estreitamente ligada aos motivos que levaram à escolha, como símbolo da cidade de Roma, de uma loba com as mamas inchadas que amamenta os míticos gêmeos fundadores - Rômulo e Remo.
Representação da Loba amamentando Rômulo e Remo no altar de Marte e Vênus do Piazzale delle Corporazioni de Óstia, atualmente no Palácio Massimo.

História da Indumentária - A Civilização Etrusca (Final)

Notas sobre a indumentária etrusca (final)


Local: Itália central. Época: séc. VI a séc. II a.C.
Etruscos: ligações com a Grécia e com a Ásia Menor. Suas roupas refletem as duas influências.
Antes do contato com os gregos, suas roupas eram costuradas e drapeadas. Uso da “túnica-veste” – ou tebenna (700 a 575 a.C.).

Mais tarde, surgiu um tipo de toga (que deu depois origem à toga romana) feita de um semicírculo de pano.


Às vezes era retangular e formava uma espécie de capa.

As mulheres usavam uma veste longa e justa, sem cinto, com meia manga e às vezes com uma abertura nas costas, fechada por fitas quando o traje era vestido pela cabeça.
Sobre a veste, cobriam-se com uma capa longa e retangular que podia ser puxada sobre a cabeça.
Até a influência grega (com sandálias), os etruscos usavam um tipo de bota alta, amarrada, com a ponta virada para cima (calcei repandi).